domingo, 22 de fevereiro de 2015

Minha Vida Injusta - Parte 3: 22 de Fevereiro de 1985

Achei esse velho diário dos Beatles perdido em meu armário e resolvi voltar a escrever nele, hoje é o meu aniversário, estou fazendo 15 anos, não fui para a escola hoje, fiquei em casa, minha mãe me deu dinheiro para eu ir me divertir ou comprar algo. Como hoje é sexta, combinei com o Jimmy e com a Simone para irmos comemorar na Lapa, é a primeira vez que vou na Lapa, dizem que lá é legal, também é bom para o Jimmy e a Simone porque amanhã eles fazem 1 ano de namoro, o primeiro beijo deles foi no dia do meu aniversário do ano passado e no dia seguinte eles já estavam namorando.

O meu dia até que foi bem chato, fiquei ansioso para a noite, marquei com o Jimmy e com a Simone para virem aqui às 19 horas pra gente ir para a Lapa, eles chegaram atrasados, mas nem tanto. Fiquei surpreso, pois o Jimmy cortou o cabelo, desde o dia em que eu o conheci ele era cabeludo e agora está com o cabelo curto. A Simone estava bonita, mas não falei isso pra ela.

Pegamos um ônibus e chegamos à Lapa, ficamos perto dos arcos, quando cheguei lá fiquei meio decepcionado, era só um monte de gente reunida, uma espécie de encontro, dividido em bares e pubs, escolhemos um bar para ficar. Mesmo sentindo um pouco de vergonha, tentei falar com alguém, é bom fazer novas amizades, comecei a conversar com um cara chamado Jorge, ele parecia bem velho e acabado, perguntei a sua idade e ele me respondeu que tinha 16, fiquei surpreso, ele parecia bem mais velho, lá pela casa dos 30.

Conversamos por um tempo até que ele me ofereceu uma cerveja, eu nunca bebi cerveja pois achava que me tornaria alguém como o meu pai, uma pessoa violenta, mas como era o meu aniversário resolvi beber, tomei um gole e achei o gosto muito ruim, mas depois de beber mais um pouco comecei a gostar, após três copos comecei a ficar meio tonto e percebi que eu estava falando muito mais do que o costume, de alguma forma sabia que isso era efeito do álcool, achei legal, percebi que nem todos que bebem são iguais ao meu pai, a maioria dos bêbados são calmos e divertidos, então bebi um pouco mais.

Jorge me apresentou uma amiga sua, ela se chama Rafaela, é uma garota bem calma. Conversei com ela por um bom tempo, ela me deu o seu número de telefone e pediu pra eu telefonar, como eu não tenho telefone em casa, apenas peguei o número e abaixei a cabeça, talvez eu use algum orelhão ou peço para o Jimmy para eu poder telefonar para ela quando estiver na casa dele.

Depois de um tempo e muitos copos de cerveja depois, comecei a me sentir muito tonto, não sentia mais meu corpo, até que surgiu uma queimação estranha no estômago, comecei a passar mal, corri até um poste ali mesmo e acabei vomitando, eu estava realmente muito mal, vomitei bastante até que alguém se aproximou e falou comigo.

- Cara, você tá muito bêbado, termina de vomitar e vamos para casa. – Era Jimmy, ele também estava bêbado, mas bem melhor que eu.

Fomos embora, nem me despedi do Jorge e da Rafaela. Simone adormeceu no ônibus, ela também bebeu, conversei com Jimmy.

- Por que vocês bebem tanto e não passam mal?

- Já estamos acostumados a beber, o nosso organismo se fortalece, depois de um tempo você vai sentir isso. – Era isso, o Jimmy já estava acostumado a beber a mais tempo que eu, acho que ele bebe desde os 13 anos, logo o seu organismo era mais forte, do Jorge e da Rafaela então nem se fala.

Jimmy deixou a Simone em sua casa primeiro, pois é a mais próxima do ponto onde a gente desce do ônibus, logo depois ele me deixou em casa, tomei um banho frio pois ouvi falar que isso é bom para curar um pouco o efeito de álcool. Meus pais não me viram bêbado, já é tarde da madrugada e eles estão dormindo, eu estou sem sono, o efeito do álcool realmente passou um pouco, lembrei desse diário, resolvi procurá-lo para escrever e aqui estou eu.

Bem, acho que resumi o meu dia, não sei quando voltarei a escrever aqui, mas tentarei escrever mais.


Henrique Soares, 22 de Fevereiro de 1985.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Eu Andei Errado

“Eu andei errado minha vida toda”, era o pensamento que ecoava pela cabeça de Lúcio. Ele não estava sendo metafórico, embora volta e meia questionasse suas escolhas na vida. Ele literalmente andava errado. Clinicamente diagnosticado.
“Você anda errado”, foram as palavras do médico.
Lúcio sabia que tinha alguma coisa errada com ele, afora a tristeza generalizada, o vazio e o desconforto habitual com a própria figura. Em uma manhã em que estava determinado a mudar (o cabelo, as roupas ou pelo menos a música que ouviria durante a ida para o trabalho), ele notou um buraco na altura do calcanhar do pé esquerdo do tênis. E reparou que todos os demais pares esquerdos dos demais tênis tinham a mesma marca. Aparentemente, ele não sabia andar mas conseguia muito bem identificar padrões de comportamento. Resolveu procurar o médico.
“Você anda errado”, era a solução para o mistério, mas também o início de outras inquietações. De todas as coisas que fazia na vida, andar era uma das poucas que Lúcio tinha alguma segurança de que não estragava. Agora, veja você, ele andava errado. Falhava numa das tarefas mais básicas de um ser humano. Neste exato momento (seja o momento em que este texto foi escrito ou o momento em que será lido, se é que será), há uma mãe orgulhosa em algum lugar do mundo porque o bebê de 10 meses aprendeu a andar.
Mas nosso cérebro trabalha de formas misteriosas. Durante o transe ali mesmo na frente do médico, não demorou muito para que uma visão mais otimista (ou auto-condescendente – Lúcio sempre teve muita habilidade em colocar seus próprios erros na conta de outros) tomasse conta de seu espírito.
Pois era isso, ele veio a realizar, era isso que ele buscava durante toda a vida. “Se eu falho numa tarefa tão simples como essa, qualquer realização é uma grande conquista, qualquer fracasso é relativizado”. Ele demorou sete anos para se formar em Jornalismo? “Eu nem sei andar, cara, eu ter entrado nessa faculdade já foi uma superação”. Ele pediu demissão depois de apenas dois meses no novo trabalho? “Nada mal para um cara que nem sabe andar”. A vaidade e necessidade de viver a vida para impressionar os outros deram lugar a uma liberdade que ele nunca experimentou antes: a tranquilidade e a paz em ser quem era. 
E saiu do consultório. Engatinhando.

domingo, 8 de fevereiro de 2015

Minha Vida Injusta - Parte 2: 08 de Fevereiro de 1982

Bem, ganhei isso aqui no natal passado, um mega diário com a capa dos Beatles, não sou muito fã de Beatles, mas sabe como é, presente de familiares no natal é sempre uma merda, fiquei quase um mês pensando o que eu faria com isso, e pensei “por que não escrever sobre a minha vida chata?”.

Nunca entendi muito bem a finalidade de um diário, acho meio imbecil você escrever algo que somente você irá ler, algumas garotas da minha escola têm diário e dizem que é uma forma de expressar os seus sentimentos e toda aquela baboseira de meninas.

Provavelmente nunca mais irei escrever aqui, devo perder esse diário daqui a alguns meses, então não vou dar muita importância para ele, já que sei que ninguém irá ler isso, mas sei lá, vou deixá-lo sempre sem cadeado, vai que algum curioso se interesse pela minha vida.

Ah, eu tenho que me apresentar, não é mesmo? Bem, meu nome é Henrique Soares, tenho 11 anos, irei fazer 12 daqui a uma semana, sou filho de uma faxineira e de um alcoólatra, filho único, não tenho dinheiro, sou pobre, moro no Rio de Janeiro, não tenho muitos amigos, meu sonho é me tornar um escritor, assim como Nelson Rodrigues, eu gosto de Nelson Rodrigues, quem sabe eu consiga escrever peças de teatro também, apesar de não gostar muito de teatro.

Agora tenho que falar sobre o meu dia, não é isso que fazem em diários? Bem, acordei cedo e fui para a escola, foi o primeiro dia de aula no ano, mas como sempre, nunca acontece nada de importante lá, é sempre chata, não copio a matéria, pois acho que tudo aquilo é um monte de idiotice, sempre volto da escola com o Jimmy, e esse ano parece que não vai ser diferente, ele é o meu melhor amigo, o conheço desde os 6 anos, nós conversamos sobre a nossa vida e principalmente sobre música, mas ultimamente estamos conversando bastante sobre garotas, tem uma garota nova lá na sala, seu nome é Simone, ela é bonita mas não conversei com ela, o Jimmy sim e disse que ela é legal, pretendo falar com ela em breve.

Cheguei em casa e meu pai me bateu, isso sempre acontece, eram 14 horas e ele já estava bêbado, as vezes ele batia na minha mãe também, mas parou desde o natal passado, onde minha mãe o ameaçou com óleo quente. Enfim, ele me bateu sem motivo, não o respondo nunca, apenas vou para o meu quarto, a minha mãe estava trabalhando, ela só chega em casa as uma da manhã, fiquei no meu quarto e comecei a ler “Bonitinha mas Ordinária” pela segunda vez, peguei no sono, quando acordei já estava de noite, eram umas 19 horas, acordei com Jimmy me chamando no portão.

Meu pai não estava em casa, tinha certeza de que ele foi para algum bar, ele não tem emprego, e isso é uma droga, pelo menos sem ele eu podia receber o Jimmy em minha casa. Eu não tenho Tv, então passamos o tempo jogando damas, eu sou muito bom em damas, o Jimmy não, teve uma hora em que fiquei com pena e o deixei ganhar, quando meu pai chegou eu pedi para o Jimmy ir embora, voltei para o meu quarto e comecei a escrever aqui, bem, esse foi o meu dia, foi bem chato.

Já sei, acho que só irei escrever aqui quando acontecer algo importante em minha vida, para não ficar muito repetitivo. É, pode ser. Bem, então é isso, até a próxima.


Henrique Soares, 08 de Fevereiro de 1982.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

50 Fatos Sobre Mim

Já faz um tempo que está rolando essa tag entre os Youtubers, e eu achei legal, para quem não conhece essa tag consiste em eu listar 50 fatos sobre mim, tive vontade de fazê-la, e como não tenho um canal no Youtube resolvi escrever isso aqui.

1 – Quando minha mãe estava grávida de mim, ela acabou caindo da escada.

2 – Por esse motivo, nasci prematuro com sete meses de gestação.

3 – Tenho alguns problemas de saúde no pulmão, estômago, coração, além de sinusite, rinite e outras coisas.

4 – Tenho 1,67 de altura.

5 – Sou magrelo e gosto de ser assim.

6 – Não gosto de gordos.

7 – Um dos meus dedos do pé é desproporcional em relação aos outros.

8 – Tenho medo de altura.

9 – Tive uma infância pobre, porém feliz.

10 – Brincava de bolinha de gude quando criança.

11 – Por causa disso, surgiu a primeira coleção da minha vida, a de bolinhas de gude.

12 – Tive mais de 1000 bolinhas de gude, de vários tipos e tamanhos.

13 – Nessa época, viciei em coleções.

14 – Comprava vários álbuns de figurinhas e tentava completar todos ao mesmo tempo.

15 – Até hoje, consegui completar apenas um álbum de figurinhas.

16 – Ainda quando criança, parte da minha casa acabou desabando em um temporal.

17 – Enquanto reconstruíam minha casa, tive que viver por meses em um único cômodo.

18 – Eu gravava em fita de vídeo todos os episódios de Dragon Ball que passava na Tv Globinho.

19 – Algumas dessas fitas eu tenho até hoje.

20 – O meu vídeo cassete ainda funciona.

21 – Meu primeiro videogame foi um Dynavision, um fav clone do NES.

22 – Jogava o dia inteiro e não o desligava quando ia dormir para não perder o progresso dos jogos, já que não existia a opção de salvar nesse console.

23 – Por causa disso, o videogame queimou.

24 – Minha mãe já me deixou um ano de castigo, sem direito à redução da pena.

25 – Só fui ganhar o meu primeiro computador em 2007.

26 – O meu primeiro beijo ocorreu quando eu tinha 13 anos.

27 – Escrevi meu primeiro conto quando tinha 11 anos e o meu primeiro roteiro quando tinha 12.

28 – Inclusive filmei algumas cenas desse roteiro com alguns amigos da minha rua naquela época usando uma TekPix.

29 – Sempre fui apaixonado por cinema.

30 – O primeiro filme de terror trash/gore que assisti foi “A Noite dos Demônios”, eu tinha 9 anos.

31 – Meu cineasta favorito é o Stanley Kubrick.

32 – Meu ator favorito é o Al Pacino.

33 – Meu jogo favorito é Max Payne 2.

34 – Aprendi a tocar guitarra praticamente sozinho.

35 – Considero a melhor época da minha vida os anos 2007, 2008 e 2009.

36 – Nessa época eu adorava a escola, a minha turma foi épica.

37 – Fui expulso dessa escola por xingar a coordenadora.

38 – Comecei a trabalhar com 13 anos.

39 – Já fui de todo tipo de religião, católico, evangélico, espírita. Hoje me considero agnóstico.

40 – Inclusive fui batizado na igreja católica, atualmente isso não significa nada para mim.

41 – Não suporto de jeito nenhum calor, carnaval e funk, mas moro no Rio de Janeiro.

42 – Gostaria de morar em outro país em algum momento da minha vida.

43 – Fiquei em depressão em alguns casos e já tentei suicídio.

44 – O maior medo que eu tenho durante a minha vida inteira é o medo da morte.

45 – Minha casa já ficou infestada de cupins.

46 – Já matei muita aula pra freqüentar Lan Houses.

47 – Apesar de não aparentar, sou muito sentimental com as pessoas.

48 – Gosto de me aventurar, fazer trilhas, etc.

49 – Escrevo mais e melhor quando estou deprimido.

50 – Atualmente, não tenho nenhuma expectativa para o meu futuro.