sábado, 18 de julho de 2015

Minha Vida Injusta - Parte 9: 18 de Julho de 1998


Como hoje foi o meu dia de folga no trabalho resolvi sair sozinho, já que o Jimmy estava atolado no seu TCC, nem o chamei. Fui ao cinema assistir ao filme "Cidade dos Anjos". Apesar de eu ter entrado na sessão quando o filme já estava na metade, eu gostei, foi divertido. Depois disso, decidi dar uma volta pelo shopping.

Enquanto eu estava lá, caminhando, acabei encontrando uma pessoa que eu não via há muito tempo, a Luana, aquela que fazia a reabilitação junto comigo e com o namorado dela, o Felipe, estranhei porque naquele momento ela estava sozinha. Cumprimentamo-nos.

- Quanto tempo faz que a gente não se vê? Uns dois anos? – Ela perguntou.

- Por aí, foi desde o fim da nossa reabilitação. – Respondi.

- Então, o que você anda fazendo por aqui?

- Apenas dando uma volta, é o meu dia de folga. E você?

- Também. Não tinha nada pra fazer em casa, então resolvi vir pra cá.

- Bem, já que estamos aqui, aceita um lanche? Eu pago. – Eu já estava querendo fazer um lanche mesmo, pelo menos agora eu tinha companhia.

- Tudo bem.

Fomos lanchar em um McDonald’s ali perto mesmo, pedimos combos, procuramos uma mesa e comemos, após isso conversamos.

- E o Felipe? Estranhei dele não estar aqui com você. – Eu fui sincero.

- Na verdade nem eu sei onde ele está e nem quero saber... Nós terminamos, já faz um ano mais ou menos, não estava dando certo. Na última vez que tive notícias dele estava tudo bem, ele conheceu uma garota chamada Simone e parece estar bem feliz com ela. E a Rafaela?

- Também terminamos, já faz um bom tempo. – Dei uma pausa para pensar - Ela acabou me traindo, nunca mais a vi desde então.

- Nossa, que chato. Mas ta tudo bem, essas coisas acontecem na vida.

- Eu sei. Você arrumou um emprego, ta fazendo faculdade ou alguma coisa assim?

- To trabalhando em um escritório, como assistente do chefe, é até um emprego legal, e ganho bem. E você? Continua no jornal? Já começou a escrever artigos lá?

- Sim, continuo no jornal, mas ainda estou na edição, ainda não escrevi nenhum artigo, mas tenho fé de que o momento vai chegar e em breve devo ser chamado de “o novo Nelson Rodrigues”.

Nesse momento Luana riu, sua risada era contagiante. Depois houve uma pausa.

- Sabe, esse lance de vida amorosa é muito louco, eu estava com o Felipe há anos, praticamente crescemos juntos, mas no fim nada aquilo importou, simplesmente acabou. – Ela começou a falar num tom de timidez.

- Não diga que no fim nada daquilo importou, claro que importou, vocês se amaram por um bom período, eu lembro que você estava bem feliz ao lado dele, só por causa disso valeu a pena. Sabe, são pequenos momentos desses em nossa vida que realmente precisam ser lembrados, os poucos momentos de felicidade. Vocês acabaram terminando... Sim, isso é chato, mas eu recomendo que você apenas se lembre das coisas boas que ocorreram naquele período em que vocês ficaram juntos. – Eu disse isso num tom de voz meio elevado.

- Você pratica essa técnica com as suas lembranças de seu relacionamento com a Rafaela?

- Eu tento. Apenas... Tento.

Houve outra pausa.

- Bem, ainda ta meio cedo. O que a gente pode fazer agora? – Luana perguntou.

- Acabei de assistir "Cidade dos Anjos", porém eu vi o filme pela metade... Se você quiser podemos ir comprar ingresso para a próxima sessão, daí eu consigo assistir a outra metade, e prometo não contar nada sobre a parte que eu vi.

- Hum... – Ela ficou pensando na resposta por um bom tempo. – Tudo bem, podemos ir.

Compramos o ingresso e assistimos ao filme, vi a parte que eu perdi. Lá pela metade da projeção a Luana encostou a cabeça em meu ombro, eu retribui o gesto abraçando-a, quando percebemos, estávamos nos beijando, foi um beijo longo, maior do que qualquer beijo que tive com a Rafaela. Os lábios de Luana são delicados e doces, o que fez o beijo ser melhor ainda, quando terminamos, o filme já havia acabado e os créditos estavam subindo na telona.

- Nossa! Já está tarde, tenho que ir. – Ela disse após sairmos da sala do cinema.

- É, foi bem legal. – Usei essa frase como forma de respondê-la.

- Sim, foi... – Ela puxou um papel e uma caneta de dentro da bolsa, anotou algo e me entregou o pedaço de papel. – Aqui está o meu telefone. Me liga? Vamos marcar para nos encontramos novamente?

- Ok, ligo sim, marcaremos sim.

Nos despedimos com um selinho e fomos embora, eu não conseguia conter o meu sorriso durante todo o meu percurso de volta para casa. Resolvi guardar o numero do telefone da Luana no meio das páginas deste diário porque é um lugar onde eu tenho certeza de que não irei perder, já que eu guardo o meu diário muito bem e o trato com carinho, e também sei que ninguém mexe aqui além de mim.

Já está meio tarde então resolvi não telefonar para ela agora, irei esperar até amanhã.

Não vejo a hora de me reencontrar com a Luana...

Henrique Soares, 18 de Julho de 1998.

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Yo Adrian, I DID IT!


Sábios já diziam desde o início dos tempos que para conseguir alcançar os objetivos em sua vida, é necessário se arriscar, se esforçar, às vezes tomar porrada e não desistir, nunca esse lema esteve tão presente em minha vida como agora.

Normalmente precisamos também de um pouco de sorte para conseguirmos chegar onde queremos, embora eu ache que a sorte é apenas uma definição para o reconhecimento do esforço de alguém, algumas pessoas parecem procurar a chance de ter a sorte e por isso apelam as vezes para divindades ou total dependência de bons contatos, e, apesar de ser clichê, não percebem que eles mesmos fazem a própria sorte.

Não acredito em sorte, e sim em esforços, e atualmente ando me esforçando muito em meus objetivos, isso às vezes consome meu corpo e minha mente, mesmo vendo que os meus planos a principio estão dando certo, talvez o motivo do cansaço seja pelo peso das novas responsabilidades. Para tentar me esquivar da fadiga, busco exemplos de esforços para me motivar ainda mais, e no momento não consigo imaginar em nada mais motivacional do que a série de filmes “Rocky”.

Rocky Balboa, interpretado pelo Stallone, é um lutador de boxe amador que nunca teve uma real chance de ser alguém na vida, até que ele recebe a proposta de Apollo Creed, o campeão dos pesos pesados, para lutar com ele valendo o cinturão. Mesmo sabendo que nenhum lutador nunca conseguiu chegar até o final da luta contra Creed, Rocky treina duro, com o objetivo não de vencer a luta, mas sim conquistar o feito de chegar até o final com o campeão.

Os esforços de Rocky são notáveis, já que ele precisa provar para os outros e para ele mesmo que pode vencer na vida, basta se esforçar. A incrível força de vontade do personagem, dentro e fora dos ringues, é o que diferencia este filme dos diversos clichês, e junto com a magnífica trilha sonora de Bill Conti, se torna um filme apaixonante e motivador.

A poesia visual também se encontra em Rocky, já que no final, na luta contra Creed, percebemos que Rocky não o está encarando como se fosse um adversário a ser batido, e sim como a personificação da sua própria vida, e o quão forte ela pode bater e destruí-lo, algo que fica mais visível após o incrível discurso de Stallone no sexto filme.

Apesar de ser um personagem fictício, a série de filmes “Rocky” coincide de forma impressionante com a carreira e a história de vida do Stallone, cada momento diferente que Stallone passou em sua carreira reflete no momento do personagem num filme específico feito na mesma época. Não entendo como muita gente tem um preconceito com esse filme, o achando só mais um filme de boxe ou até mesmo um filme brucutu, porém desconhecem toda a sua profundidade.

Rocky me inspira a encarar essa nova fase da minha vida de cabeça erguida, ser forte e encarar as dificuldades de frente, não desistir, e sempre me levantar se eu estiver caído. Foda-se, Rocky é foda!

"O mundo não é um grande arco-íris. É um lugar sujo e cruel, que não quer saber o quanto que você é durão, vai botar você de joelhos, e você vai ficar de joelhos para sempre se você deixar. Você, eu, ninguém vai bater tão duro como a vida. Mas não se trata de bater duro, se trata de quanto você aguenta apanhar e seguir em frente; o quanto você é capaz de aguentar e continuar tentando. É assim que se consegue vencer! Agora, se você sabe o seu valor, então vá atrás do que você merece, mas tem que ter disposição para apanhar, e nada de apontar dedos e dizer que você não consegue por causa dele, ou dela, ou de quem seja! Só covardes fazem isso, e você não é covarde! Você é melhor do que isso!” – Rocky Balboa