terça-feira, 25 de março de 2014

Um Motivo Para Começar a Odiar as Tecnologias de Comunicação Instantânea


Oi, Sabrina. Gostei de te encontrar ontem, finalmente haha fazia um tempão que não te via… pena que foi muito rápido =/  como foi a festa que você foi depois, curtiu? Espero que não demore mais meses pra te ver de novo rs de verdade, sempre gosto quando te encontro, sabe? Aliás, era algo que queria te falar há um tempo, mas nunca tenho oportunidade… você é muito especial pra mim. Eu gosto mesmo de você. Adoro nossas conversas que não acabam nunca, às vezes parece que você mora na minha cabeça. Me sinto bem falando de tudo com você, gosto do seu jeito de pensar e ver a vida, sempre me ajuda a olhar o mundo de outro jeito (e eu não consigo imaginar forma maior de elogio, poucas pessoas me fazem sentir assim). Sei que é péssimo estar falando isso por aqui, queria conversar com você pessoalmente, mas a gente nunca se encontra, e eu já tava sem saber o que fazer, eu realmente gosto de você. Acho que to falando demais isso haha pode ficar tranquila, na verdade eu gosto de você em uma quantidade perfeita para que duas pessoas possam iniciar um relacionamento saudável, sem muita expectativa nem exagero, apenas a porção ideal. Por exemplo, eu não imaginei que a gente depois de já estar namorando poderia passear pelo Arpoador e observar o mar, a praia, o sol e os cariocas sendo cariocas (você adora falar dos cariocas, né?). Eu também não pensei que se eu conseguir aquela promoção no meu emprego, no final do ano eu já vou ter juntado uma grana legal e meu salário vai me permitir morar sozinho, e que no meu apartamento você poderia deixar sua escova de dente e sua borrachinha de prender cabelo (como é o nome certo daquilo?) no banheiro, além ter sua própria gaveta no meu ármario, que então seria dominado aos poucos pelas suas coisas, seus livros e dvds que eu tanto gosto, até que depois de discutir com seus pais mais uma vez você finalmente se cansaria de morar com eles e iria sugerir que a gente morasse junto (lembrando que essa ideia foi sua, mas acho que pode dar certo). Coisa que não passou pela minha cabeça foi imaginar que na sala a gente podia separar um canto especial pra você pintar seus quadros nos finais de semana, enquanto eu tentaria pela milésima vez tocar Here Comes The Sun no violão, espalhado de mal jeito em um sofá amarelo (sua cor predileta), com o Zeus, nosso Shar-Pei, mordendo meu chinelo (tudo bem, cachorro quando é assim filhote morde tudo porque os dentes tão nascendo, mas essa fase passa rápido). Acredito que não preciso frisar que uma viagem nossa para Nova York, quando passearíamos por aquelas exposições de arte de rua, andaríamos de metrô até o Brooklyn apenas pela emoção e eu te levaria para conhecer a minha vó (que aliás faz uns cookies muito bons), não é algo que eu pense de vez em quando, assim como nosso casamento, nossos filhos, nossa casa de verão em Búzios e uma possível mudança pra o interior depois que a gente ficasse velhos demais pra cidade grande. Sério, eu sou um cara muito relax, prefiro deixar as coisas rolarem, entende? Dai pensei se a gente de repente não poderia tomar uma cervejinha amanhã, o que você acha? Beijos.
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sábado, 1 de março de 2014

RoboCop (2014) - Crítica


Em 1987 o diretor holandês Paul Verhoeven construiu uma considerável e importante obra do cinema de ficção científica, chamada "RoboCop", sobre um policial morto em combate e reencarnado numa máquina, repleto de violência, críticas a sociedade e sátiras dos padrões de vida americanos, o longa se tornou um clássico, mas devido as suas sequências fracas, o personagem se tornou cada vez mais infantil, até ser apresentado um projeto de remake que recriaria o policial do futuro, e este ano o projeto de remake foi apresentado ao público, e com surpresas positivas.

Na nova trama, que desta vez se passa no ano de 2028, a empresa OmniCorp (OCP para os íntimos) é uma multinacional especializada em tecnologia robótica cujas máquinas estão vencendo vários conflitos pelo mundo, mas devido a uma lei americana, a empresa é impedida de usar suas máquinas em território americano, no meio disso está Alex Murphy, um bom policial, pai e marido, que depois de sofrer um grave acidente, cai nas mãos da OmniCorp para servir de "molde" para um projeto de homem-máquina, para a empresa conseguir derrubar a lei americana e criar policiais robôs.

Dirigido pelo brasileiro José Padilha (Tropa de Elite 1 e 2) em sua primeira produção Hollywoodiana, o filme conta com vários pequenos detalhes que respeitam a versão original, como a trilha sonora do filme de 1987 e a armadura original que aparecem nesta nova obra, mesmo por pouco tempo, além de aproveitar outros detalhes para abrir espaço para as renovações, como o jornal televisivo, que na versão clássica satirizava a sociedade americana através de suas notícias e comerciais, nesta nova versão o jornal ganha uma cara sensacionalista, apresentado pelo Samuel L. Jackson, que lembra muito o jornal de "Tropa de Elite 2".

Enquanto que na versão original vemos a transição de homem se tornando máquina e no final se tornando homem novamente, nesse temos a transição homem, homem-máquina, máquina, homem, que foi muito bem desenvolvida, mostrando os detalhes de cada transição, algo que fica implícito no filme original. Outras coisas são presentes na versão original que acabaram exageradas neste remake, como a luta entre RoboCop e Ed-209, que nesta versão foi apenas um compilado de efeitos especiais, e a aparição do rosto de Alex Murphy depois de se tornar RoboCop, que enquanto no original o rosto só se mostrava no final, causando mais tensão, nesta versão o rosto é mostrado o tempo inteiro, desde o começo.


A falta de violência também é um ponto fraco do filme, já que são retratados conflitos como guerras, crimes como assassinatos e corrupção, a falta de sangue se mostra presente em cenas onde ficariam melhores se fossem sangrentas, além de a versão de 1987 ser totalmente sangrenta, chocante e gore, com cenas como execuções e pessoas derretendo, tudo isso foi compactado a ponto de se tornar um filme com censura 14 anos nesta nova versão, e apesar de ter cenas repugnantes no remake, como a cena em que é revelado o que sobrou de Alex Murphy debaixo da máquina, o fator gore é bem fraco.

Alguns detalhes desnecessários também estão presentes, como a mão humana de Alex Murphy, que chega a ser chata e incomodar o telespectador em algumas cenas, e o fato de o novo RoboCop conseguir correr bem rápido e pular alto, mesmo com a armadura pesada, algumas outras partes são pouco desenvolvidas, como a relação de Murphy com o filho depois de ele se tornar máquina e a primeira parte da vingança, que foi bem rápida, mas alguns pequenos detalhes, como o fato de a armadura ter sido "Made in China" foi bem legal.

Porém a direção de Padilha está ótima, com takes usando câmera de mão, marca já registrada do diretor. Mas o ponto forte do longa são as atuações, em especial de Gary Oldman, que está incrível, tanto que ele rouba todas as cenas em que aparece, Michael Keaton, Jackie Earle Haley também estão ótimos, além de Samuel L. Jackson, que usa sarcasmo e ironia em seu papel de apresentador, o roteiro também está muito bem escrito, fazendo o filme ser bem conduzido e as cenas de ação estão boas.



AVALIAÇÃO FINAL

Bom
Impossível não comparar esta versão com o filme de 1987, já que o remake tem vários elementos que também estão presentes na versão original, alguns muito bem aproveitados, como a trilha sonora original, outros nem tanto, como a luta entre RoboCop e Ed-209 e as frases originais mal colocadas nesta versão. Porém tem uma história interessante e bem conduzida, boa direção e ótimas atuações, especialmente de Gary Oldman, infelizmente o final é fraco e a falta de violência nesta versão chega a irritar, porém é um bom filme, chega quase no mesmo nível do original, e só não o supera por alguns detalhes.